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sexta-feira, 18 de abril de 2025

                                                                          






   Senhor, nesta Sexta-Feira Santa
eu quero ficar perante Ti
sem falar, num profundo silêncio;
Meditando em tão cruel e horrível morte!
Tu foste humilhado, ultrajado,
e mudo como um cordeiro,
pregado numa cruz.
Tu foste por mim crucificado!

Hoje, ainda te crucifico:
quando não consigo
ultrapassar o meu eu;
Humilhar-me perante Ti,
dizer-Te, confessando o meu pecado,
que ele, ao separar-me de Ti,
me deixa triste e abandonada!

Quero ver-Te Senhor
de novo em mim,
crucificando a minha vida,
para que ela renasça para Ti
e, em Ti veja, 
o sentido da ETERNIDADE!

sábado, 3 de março de 2018




PARA TI !...

Olho o espaço vazio...
Sei que estás comigo ,
porque o espaço vazio está cheio de ti!
Nele encontro Paz.

Sentindo o eco da tua voz,
livre e profundo na harmonia
de um amor que nunca se apagará.
Até ao Infinito onde estás!

Sempre presente em mim.
nos abraços mesmo que tímidos,
nos beijos furtivos e doces
do bem-querer de nada de mal me acontecer!

Eras assim!
No mais profundo amor  que juntos vivemos...
Simples, puro...
...nas inquietações e dores,
sombras vividas
saltando de mãos dadas,
cada pedra, cada penedia mais difícil...
...confiando no DEUS que te acolhe...
                                                      Com ELE estás!

"....servo bom e fiel, entra no gozo do teu Senhor!"
(Mat.25.21)



segunda-feira, 11 de maio de 2015






              Mediterrâneo, Indico... e, outros mares    

  No mar de náufragos  
não há vida...
há sofrimento e dor!
Busca do ignoto de sonhos por sonhar.

Vagas varrendo altaneiras sem medida,
tétricas, telúricas... sorvem corpos;
de seres humanos fugidos
à guerra e à morte!...
... ALI ENCONTRADA.

Choram crianças; mães as apertam,
sofregas no amor por elas incontido,
desfeito no vento de marés sem rumo,
carnificina no caos e na tormenta!

ONDE ESTÁ DEUS? 
Como se presente não estivesse:
na mágoa, na dor, no sofrimento!...

... ausente está  nos corações de fel,
que alimentam o ódio a ganância e o poder;
 desprezando o seu igual... o seu irmão!

...repugnantes e desprezíveis seres,
onde Deus é recusado a entrar;
e, jamais dentro deles poderá morar!

Z.R.C.



domingo, 11 de maio de 2014






MÃE, O TEU SORRISO !









Mãe, ainda me lembro...
Pequenina ao teu colo,
acariciando o teu cabelo!
Vendo o teu rosto
moreno e sereno,
no meio de tanta inquietação!

O teu sorriso,
traçava um caminho,
e, era em mim que ele se acoitava;
Cheio de luz, calor e frescura.

Ainda hoje, passados tantos anos,
ele representa o que de mais belo há!
... o AMOR !
que transforma o medo em confiança;
no qual me deste a certeza
da existência de DEUS !

... porque o ter SORRISO,
transforma ainda hoje o teu saber, 
vindo de Deus,
em claro ... AMANHECER !


sábado, 19 de abril de 2014





MEMÓRIAS... de infância


A mesa era larga e comprida. A toalha de um branco imaculado. A refeição daquele Domingo de Páscoa estava pronta...

Alguém de entre os que se reuniam naquela família contou os pratos... um ... dois ... três ... , há um prato a mais,  temos que o tirar. A avó, dona da casa, energicamente retorquiu: "não, deixa ficar... os antigos diziam que neste dia devemos ter sempre mais um lugar na mesa, um lugar vago, porque devemos esperar por alguém que há-de vir ocupá-lo".

A "imposição" foi acatada".

Na mente de uma das crianças dessa família, reunida naquele dia, a frase ficou marcada de uma maneira indelével e jamais esquecida.

Porquê tal imposição? Se ninguém veio ocupar aquele lugar à cabeceira da mesa do lado contrário ao do avô?...

... Naquela aldeia, a cultura judaica, soubemos mais tarde, tinha tido alguma expressão. Ainda hoje há resquícios  do que teria sido uma pequena sinagoga. A imposição da avó estava, provavelmente, dentro deste contexto, embora ela cristã, mas na grande simplicidade das suas convicções,  queria dar lugar ao simbolismo que culturalmente lhe estava entranhado, por qualquer razão e, que talvez, mesmo a ultrapassava no seu grande saber.

Mas, sem dúvida, o lugar vago estava "guardado" para o Messias esperado; Ele era o "ocupante" por excelência para aquele lugar!

Nas andanças da vida, a tradição na família não foi mais levada a sério. Mas o seu significado é profundo. A avó tinha o lugar marcado naquela mesa para Cristo o Messias, o Cristo feito Homem, morto e pregado numa Cruz... que ao terceiro dia RESSUSCITOU dos mortos!
ALELUIA!

FELIZ PÁSCOA!

sexta-feira, 18 de abril de 2014






Senhor, nesta Sexta-Feira Santa
eu quero ficar perante Ti
sem falar, num profundo silêncio;
Meditando em tão cruel e horrível morte!
Tu foste humilhado, ultrajado,
e mudo como um cordeiro,
pregado numa cruz.
Tu foste por mim crucificado!

Hoje, ainda te crucifico:
quando não consigo
ultrapassar o meu eu;
Humilhar-me perante Ti,
dizer-Te, confessando o meu pecado,
que ele, ao separar-me de Ti,
me deixa triste e abandonada!

Quero ver-Te Senhor
de novo em mim,
crucificando a minha vida,
para que ela renasça para Ti
e, em Ti veja, 
o sentido da ETERNIDADE!

quarta-feira, 19 de março de 2014










A MEU PAI








Numa aparente fragilidade,  
Foste sempre o meu herói !

Incapaz de fazer
o que na íra dizias...
... tão humano e perto,
daqueles que como tu,
não tiveram muita ventura,
na luta pela justiça, de transformar
o mundo rebelde e duro,
num oásis de amor e paz.

Porque eras frágil (!?)
Te amei e compreendi.
Porque a tua heroicidade
estava ali... no SER.

Rebelde na bondade contida,
Vendo no outro, o igual a quem amar,
pronto sempre a servir e,
silenciosamente a dar-te!


"... Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a DEUS..." (do Sermão da Montanha)


sábado, 8 de março de 2014




MULHER!

Neste dia a nossa homenagem vai para todas as mulheres que foram mortas às mãos de seus maridos ou companheiros, ou em qualquer outra relação.
Também esta homenagem é para as muitas mulheres que ainda hoje sofrem a humilhação, a violência e a segregação. Para todas as meninas  de todas as raças e lugares da terra que, sem serem ainda mulheres, sofreram e sofrem a brutalidade e a humilhação por costumes tribais e abusos sexuais.

No texto do Livro de Génesis lemos, esta alegoria do começo da Criação do Mundo: "... homem e mulher  -  DEUS os criou..." ( paridade  -  igualdade perfeita).
Mas sempre a hegemonia de uns se manifesta para outros.

Ancestralmente, desenvolveu-se nas culturas dos povos esta realidade. A ideia de um ser mais forte e o outro mais fraco. O homem pega em armas e vai para a guerra, a mulher fica a cuidar dos filhos e a cultivar os campos. A mulher ficou tida como a mais fraca...

SERÁ!?

Sim, quando a força "demoníaca" de alguém, mesmo que seja só de palavras, é exercida sobre o seu semelhante cujas ocupações e carga da vida o torna mais ocupado e disperso em mil e uma responsabilidades! 

Sobretudo, se for desfavoravelmente mais pobre e com maiores encargos. Mas, não só! 
Frágil, na sua condição imposta, por isso, mais vulnerável... mesmo numa sociedade que aqui e ali, tenta mudar mentalidades. Este drama continua a ser um flagelo. E, é ainda mais alarmante, quando essa sociedade afirma ter valores cristãos (!?).

O DIA INTERNACIONAL DA MULHER deve-nos levar a refletir cada vez mais sobre a sociedade que temos e a que desejamos. Lutando pelo que de mais belo podemos alcançar - a DIGNIDADE para cada ser humano.Independentemente do sexo, da condição social , racial e de todas as outras que nos possam ser impostas e que destroem essa mesma dignidade individual e colectiva. Chamando-nos para a urgência de nos pormos ao lado dos que de nós precisam, lutando por eles e por cada uma de nós.

Neste dia choramos a violência sobre tantas mulheres! O sofrimento físico e psicológico que continua a ser uma realidade para com elas nas suas casas, nos trabalhos onde são discriminadas nos salários, no desprezo de quem não tem outro valor que, fazer do seu igual um subalterno que, vale até que possa dar "rendimento". Que indo envelhecendo deixa, ainda mais de ter "cotação", como se de um qualquer objecto se tratasse. Como se a vida não fosse toda ela para ser reverenciada!  - Dom da Criação!

Juntemo-nos neste dia 8 de MARÇO de 2014 às mulheres sofredoras, às mães e às avós. Às mulheres que nas suas diferentes funções e atividades contribuem na família, na sociedade e em tantos outros lugares e situações, para a construção de um mundo melhor para as gerações futuras.

E, aos homens! Companheiros e amigos que, às mulheres dão todo o respeito promovendo a sua DIGNIDADE com o seu companheirismo e respeito e, que de mãos dadas, unidos por uma mesma causa, tornam este DIA um pouco mais radioso, lutando por uma sociedade sem discriminação, aceitando a IGUALDADE NA DIFERENÇA!








segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

FRAGMENTOS  -  A Escola

(cont.)




A Escola era imponente vista de fora. Lá dentro, os grandes espaços onde os corredores também se tornavam medonhos pela sua dimensão e pouca luz, tornava aquele lugar um pouco sinistro. As crianças viviam um pouco amarfalhadas com o peso lúgubre do lugar onde eram deixadas com o fino propósito de serem ensinadas, não só no ensino inerente de uma escola do então chamado Ensino Primário, mas também no ensino de outras matérias, tão comumente anunciadas pelo regime de então como fundamentais para o bom crescimento de cidadão  -  a religião, a oficial do regime político vigente, a educação moral e cívica e, as noções elementares de "economia doméstica"  transmitidas às meninas como essenciais para o papel de futuras esposas e mães  -  pondo-as num lugar de aparente destaque mas, relegando-as para um futuro próximo a...  simples servidoras, silenciosas e sem querer!

O regime educacional não dava muitas possibilidades de expressão à alegria infantil. Tinha que ser controlada essa alegria pelos pequeninos seres  já sujeitos  a sansões que, muitas vezes ou quase sempre, não compreendiam a sua razão de ser.

Mas, há sempre a dedicação de alguém que "fura" o esquema... E, a D. Idília, regente das duas primeiras classes, com a sua figura magra e esguia e olhar doce, conseguia transmitir na sua serenidade um amor protetor  e amigo que, amenizava a austeridade da professora responsável por toda a escola e a austeridade daquele lugar.

Talvez pela primeira vez, Maria tenha chorado ao ir para a escola. Estava a chegar atrasada... e, isso a deixava muito desconfortável, pois tinha sido levada pela  mãe  à Farmácia onde o farmacêutico,  homem já de alguma idade mas, atencioso bom e sábio, dava a sua opinião e prescrevia alguma pomada ou xarope para o que lhe era apresentado.  Maria tinha uma teimosa infecção no lábio  que se prolongava já ao nariz. Ir ao médico era só em último recurso. Mas sentia  terror de entrar na classe, quando todas as meninas estavam já sentadas a fazer os trabalhos impostos para aquele dia. Os seus olhares incomodavam a timidez da Maria que não se sentia bem ao ser alvo deles. A D. Mária (assim se chamava a professora) era austera mas, naquele momento veio em seu socorro enaltecendo o sentir de Maria. O que não aconteceu outras vezes,  como naquele  dia quando a propósito de um ditado chamou rudemente a atenção de Maria pelo mesmo erro dado mais que uma vez. Era  um A que estava raivosamente riscado a vermelho. O discurso foi marcado pela intensidade da voz zangada.  - Pela primeira vez,  e para que aprendas,  -   dizia a D. Mária:  vais ficar de "orelhas de burro". 

A tremenda cartolina recortada com duas compridas orelhas que, profusamente era usada na cabeça das meninas,  vinha fazer a sua estreia na cabeça da Maria. Maria soluçava. Não tanto pela humilhação que essa, até podia ser  tomada como solidariedade a tantas outras meninas com as quais a D. Mária usava e abusava de tal gesto.  Mas, porque entre  ralhos e gritos a explicação de "tamanha falta"  continuava sem compreensão na sua mente . - Cem vezes! Vais ter de escrever o A com H para aprenderes ...

Porquê tanta imposição?  O H não se lia... Porque que é que ele ali tinha que ser posto?

As cem vezes foram cumpridas mas, o terror de não saber o porquê de tanta tempestade juntava-se  ao espaço daquele edifício, tenebroso e sombrio. Em cochicho, atrás de cochicho, Maria procurava saber entre as companheiras o que tudo aquilo se resumia. Mas sem sucesso! Parecia que ninguém sabia! Foi longa e penosa aquela caminhada.  E,  se de novo o H deixar de ser posto onde era exigido?

A felicidade era sempre interrompida por uma tempestade levantada pelo erro no ditado ou a conta mal multiplicada. Nem o "recreio" era saboroso nesse dia. A paz interior tinha sido magoada. Mas, na mente de Maria não havia ressentimentos. Ela nasceu para ser feliz como todas as crianças! O seu berço não era de ouro, mas era protegida pela família onde se sentia amada e,  tudo se tornava bonito por isso. Só não gostava de casa sombrias, mesmo pequeninas que fossem como a sua. As janelas fechadas deixavam-na triste porque a felicidade é "... deixar a luz do céu entrar..." como dizia aquele hino cantado na igreja e, que ela simplesmente associava à luz do astro-Sol.

Afinal, era bom andar na escola a aprender... mas, tinha os seus revesses o saber!

Os crescidos... será que tinha sido pequeninos... ? Se calhar não! E, aparentemente sem explicações as dúvidas começavam a surgir em catadupa cada vezes mais no espírito de Maria. 

O seu corpo longo e delgado crescia e a sua mente tornava-se combativa...


(cont.)